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ENEM 2020

182 questões · página 4 de 10

Q 60Ciências Humanas

Em A morte de Ivan IIitch, Tolstoi descreve com detalhes repulsivos o terror de encarar a morte iminente. llitch adoece depois de um pequeno acidente e logo compreende que se encaminhá para o fim de modo impossível de parar. “Nas profundezas de seu coração, ele sabia estar morrendo, mas em vez de se acostumar com a ideia, simplesmente não o fazia e não conseguia compreendê-la”. **KAZEZ, J.** O peso das coisas: filosofia para o bem-viver. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2004.

Q 61Ciências Humanas

A Divisão Internacional do Trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros, em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latica, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aprimorou suas funções. GALEANO, E. **As velas abertas da América Latina**. São Paulo: Paz e Terra, 1978.

Q 62Ciências Humanas

Sexto rei sumério (governante entre os séculos XVIII e XVII a.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do I Império Babilônico (correspondente ao Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolido a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos. Disponível em: www.direitoshumanos.usp.br. Acesso em: 12 fev. 2013 (adaptado).

Q 63Ciências Humanas

Desde o mundo antigo e sua filosofia, que o trabalho tem sido compreendido como expressão de vida e degradação, criação e infelicidade, atividade vital e escravidão, felicidade social e servidão. Trabalho e fadiga. Na Modernidade, sob o comando do mundo da mercadoria e do dinheiro, a prevalência do negócio (negar o ócio) veio sepultar o império do repouso, da folga e da preguiça, criando uma ética positiva de trabalho. ANTUNES, R. O século XX e a era da degradação do trabalho. In: SILVA, J.P. (Org.). Por uma sociologia do século XX. São Paulo: Annablume, 2007 (adaptado).

Q 64Ciências Humanas

É difícil imaginar que nos anos 1990, num país com setores da população na pobreza absoluta e sem uma rede de benefícios sociais em que se apoiar, um governo possa abandonar o papel de promotor de programas de geração de emprego, de assistência social, de desenvolvimento da infraestrutura e de promoção de regiões excluídas, na expectativa de que o mercado venha algum dia a dar uma resposta adequada a tudo isso. SORJ, B. **A nova sociedade brasileira**. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 (adaptado).

Q 65Ciências Humanas

![](https://enem.dev/2020/questions/65/e01ad380-5dc4-48fd-82c4-9e01c26796e9.png) O conjunto representado pelo agronegócio demanda condições específicas que passam a ser exigidas dos territórios. Como há uma elevação da formação de fluxos, materiais e imateriais, a crescente articulação com as escalas que vão do local ao global terminam por pressionar o Estado a agir visando uma instalação no território de fixos diversos, bem como uma regulação específica. LIMA, R. C.; PENHA, N. A. A logística de transportes do agronegócio em Mato Grosso (Brasil). **Confins**, n.26, fev. 2016.

Q 66Ciências Humanas

Um dos resquícios franceses na dança são os comandos proferidos pelo marcador da quadrilha. Seu papel é anunciar os próximos passos da coreografia. O abrasileiramento de termos franceses deu origem, por exemplo, ao saruê (_soirée_ — reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão), anarriê (_en arrière_ — para trás) e anavã (_en avant_ — para frente). Disponível em: www.ebc.com.br. Acesso em: 6 jul. 2015.

Q 67Ciências Humanas

![](https://enem.dev/2020/questions/67/c384d31a-87b1-4653-882b-ffa66c2643be.png) Disponível em: https://noticias.uol.com.br. Acesso em: l3 jun. 2018 (adaptado).

Q 68Ciências Humanas

A reabilitação da biografia histórica integrou as aquisições da história social e cultural, oferecendo aos diferentes atores históricos uma importância diferenciada, distinta, individual. Mas não se tratava mais de fazer, simplesmente, a história dos grandes nomes, em formato hagiográfico — quase uma vida de santo —, sem problemas, nem máculas. Mas de examinar os atores (ou o ator) célebres ou não, como testemunhas, como reflexos, como reveladores de uma época. DEL PRIORE, M. Biografia: quando o indivíduo encontra a história. Topoi, n. 19, jul.-dez. 2009.

Q 69Ciências Humanas

A sociedade como um sistema justo de cooperação social consiste em uma das ideias familiares fundamentais, que dá estrutura e organização à justiça como equidade. A cooperação social guia-se por regras e procedimentos publicamente reconhecidos e aceitos por aquele que cooperam como sendo apropriados para regular a sua conduta. Diz-se que a cooperação é justa porque seus termos são tais que todos os participantes podem razoavelmente aceitar, desde que todos os demais também o aceitem. FERES JR., J.; POGREBINSCHI, T. **Teoria política contemporânea**: uma introdução. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

Q 70Ciências Humanas

Com efeito, até a destruição de Cartago, o povo e o Senado romano governaram a República em harmonia e sem paixão, e não havia entre os cidadãos luta por glória ou dominação; o medo do inimigo mantinha a cidade no cumprimento do dever. Mas, assim que o medo desapareceu dos espíritos, introduziram-se os males pelos quais a prosperidade tem predileção, isto é, a libertinagem e o orgulho. SALÚSTIO. A conjuração de Catilina/A Guerra de Jugurta. Petrópolis: Vozes, 1990 (adaptado).

Q 71Ciências Humanas

**O cântico da terra** Eu sou a terra, eu sou a vida. A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa. E um dia bem distante a mim tu voltarás. E no canteiro materno de meu seio tranquilo dormirás. Plantemos a roça. Lavremos a gleba. CORALINA, C. **Textos e contextos**: poemas dos becos de Goiás e estórias mais. São Paulo: Global, 1997 (fragmento).

Q 72Ciências Humanas

Montaigne deu o nome para um novo gênero literário; foi dos primeiros a instituir na literatura moderna um espaço privado, o espaço do “eu”, do texto íntimo. Ele cria um novo processo de escrita filosófica, no qual hesitações, autocríticas, correções entram no próprio texto. COELHO, M. **Montaigne**. São Paulo: Publifolha, 2001 (adaptado).

Q 73Ciências Humanas

Acreditamos e proclamamos que: toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades. Disponível em: http://portal.mec.gov.br. Acesso em: 4 oct. 2015.

Q 74Ciências Humanas

**TEXTO I** Os meus pensamentos são todos sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca. PESSOA, F. O guardador de rebanhos – IX. In: GALHOZ, M. A. (Org.). **Obras poéticas**. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999 (fragmento). **TEXTO II** Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ciência, eu o sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada. MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (adaptado).

Q 75Ciências Humanas

Afirmar que a cartografia da época moderna integrou o processo de invenção da América por parte dos europeus significa que os conhecimentos dos ameríndios sobre o território foram ignorados pela cartografia europeia ou que eles foram privados de sua representação territorial e da autoridade que seus conhecimentos tinham sobre o espaço. **OLIVEIRA, T. K.** Desconstruindo mapas, revelando espacializações: reflexões sobre o uso da cartografia em estudos sobre o Brasil colonial Revista Brasileira de Hlstória, n. 68. 2014. (adaptado.)

Q 76Ciências Humanas

“A principal característica da situação social dos angloamericanos é seu caráter eminentemente democrático. Afirmei anteriormente que reinava uma igualdade muito grande entre os emigrantes que foram se estabelecer na Nova Inglaterra. Para isso contribuiu a influência das leis de sucessão. Estabelecidas de uma maneira, as leis de sucessão reúnem, concentram e agrupam em um só a propriedade e o poder. Estabelecidas por outros princípios, produzem o oposto: dividem, partilham e disseminam os bens e o poder.” (**TOCQUEVILLE, A. A democracia na América.** Belo Horizonte: tabela; São Paulo: Edusp 1977. Adaptado.)

Q 77Ciências Humanas

Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens. **ARISTÓTELES Política**. Brasília: UnB,1988.

Q 78Ciências Humanas

“O toyotismo, a partir dos anos 1970, teve grande impacto no mundo ocidental, quando se mostrou para os países avançados como uma opção possível para a superação de uma crise de acumulação.” (ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo. 2009. Adaptado.)

Q 79Ciências Humanas

“O fenômeno histórico conhecido como “tráfico de coolies” esteve associado diretamente ao período que vai do final da década de 1840 até o ano de 1874, quando milhares de chineses foram encaminhados principalmente para Cuba e Peru e muitos abusos no recrutamento de mão de obra foram identificados. O tráfico de coolies ou, em outros termos, o transporte por meios coativos de mão de obra de um lugar para outro, foi comparado ao tráfico africano de escravos por muitos periodistas e analistas do século XIX.” (SANTOS, M. A. Migrações e trabalho sob contato no século XIX. História. n. 12, 2017.)

Q 80Ciências Humanas

Os seringueiros amazônicos eram invisíveis no cenário nacional nos anos 1970. Começaram a se articular como um movimento agrário no início dos anos 1980, e na década seguinte conseguiram reconhecimento nacional, obtendo a implantação das primeiras reservas extrativas após o assassinato de Chico Mendes. Assim, em vinte anos, os camponeses da floresta passaram da invisibilidade à posição de paradigma de desenvolvimento sustentável com participação popular. ALMEIRA, M. W. B. Direitos à floresta e ambientalismo: seringueiros e suas lutas. **Revista Brasileira de Ciências Sociais**, n. 55, 2004.